Admirável Julho Novo

Boa tarde para você que nos acompanha aqui no Blog Roda de Histórias, obrigado por sua atenção e incentivo com comentários e curtidas, isso nos motiva. Aproveitando o tema do incentivo lhes comento que os temas para essa semana estão bem interessantes…

Eu escreverei sobre: “Porque as discussões políticas substituíram as discussões sobre futebol?”, bacana né? Nesse momento de polarização de opiniões esse tema é bem farto para dissertar e vou tentar ser bastante isento para não gerar mais discussões. Já o Henrique tem um tema bastante especial: “A importância do humor em nossas vidas, uma história engraçada”.  

Esperamos coisas boas por aí, se você tem gostado do conteúdo nos ajude a divulgar, se quiser compartilhar suas ideias para os próximos textos também fique à vontade.

Abraço e boa semana!

Em cima do muro

O que eu posso fazer para mudar o mundo? Essa é uma pergunta recorrente, principalmente quando há tempo de sobra e estamos confinados. Num primeiro momento pensei na cura de velhas doenças que seguem sem solução e também nas novas que agora nos limitam e estamos aprendendo a nos adaptar a essa nova realidade. Realidade cinza e distante que nos assombrou a todos sem avisar.

Mas não só as mazelas ou grandes problemas nos tiram a tranquilidade e aqui cabe a importante diferença entre Obstáculos e Problemas. Como comparação simples podemos ter uma cólica no caminho pra casa é um obstáculo, não conseguir chegar em casa é um problema. De uma forma mais séria e taxativa não ter sapato é um obstáculo e não ter pé um problema.

Dados os parâmetros dessa conversa, digo francamente que não tenho problemas, e agradeço diariamente por isso. Todos aqui têm saúde, são livres para escolher o que lhes convier e definitivamente posso dizer que tenho alguns poucos obstáculos, que aparecem pelo caminho e necessitam de atenção para remove-los, ou não, para uns só um pouco de paciência basta para consolidarmos a mudança quando nada mais se pode fazer.

We don’t need no thought control

Toma o que quiser, mas por favor o usa bem! Essa deveria ser uma máxima ensinada nas escolas primarias traduzindo a responsabilidade de fazer o que quiser desde que o faca bem (ou para bem). Essa máxima é antiga e se pode encontrar desde Santo Agostinho: “Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos” até Aleister Crowley, que eternizou Raul Seixas na canção Sociedade Alternativa: “Então vá! Faz o que tu queres / Pois é tudo da lei!”.

No mundo que vivemos com tanta pluralidade e diferentes formas de ver e entender as coisas, muitas vezes temos que nos policiar ao dar opinião sobre algum assunto, há uma patrulha do politicamente correto que na verdade enche a paciência. Piadas dos Trapalhões ou Casseta e Planeta, filmes como Gremlins e outros tantos de apenas 30 e poucos anos atrás já não são apropriados e teriam classificação etária elevada caso fossem exibidos agora.  Mas isso é um tema que podemos abordar mais adiante.

O ponto aqui é que acreditar que tudo é normal é por si mesmo contraditório e uma loucura, tantas decisões, dúvidas e atitudes sem pensar que as vezes nem se percebe que a vida nos está impelindo por seus muitos caminhos. Somos impelidos a viver da mesma forma que a patética “sociedade padrão” tem como razoável? Somos livres para montar uma barraca de anarquia na feira livre de domingo e pregar ideias subversivas no seu café da manhã?

A verdade é o remédio, que liberta, desperta e encoraja! Mesmo que muitas vezes não gostemos de escutar por seu caráter lascivo e indiscutível. Olhar para si mesmo é metade da solução a sua volta, se você percebe aonde está com plenitude dos sentidos e pode olhar a situação de uma forma analítica e livre de julgamentos então já temos aí 50% para superar quaisquer obstáculos ou problemas.

Eu posso mudar o mundo lidando de forma fraternal com aqueles que eu encontrar, tratando de ser melhor em tudo que faço e fazendo que isso seja uma missão diária. Posso mudar espalhando essa mensagem para todos os que tiverem dispostos a ouvir e posso contratar horários na televisão para difundir essa mensagem para as salas quase vazias numa noite dessas. Eu posso, mas de profetas já se tem notícia de muitos, uns mais populares que outros e com diferenças históricas que inacreditavelmente ainda geram polémicas e as vezes até problemas mais sérios como ódio e intolerância religiosa.

Se eu pudesse mudar o mundo eu criaria a lei da verdade compulsória, todos os dias ao tomar seu copo d´água, ao comer, ao respirar estaríamos consumindo a verdade que foi diluída em tudo a nossa volta.

Não haveria forma de escapar da verdade. Já pensou que loucura seria? Os vendedores de carro usado seriam de veras impactados com isso, assim como muitos políticos, pescadores, caçadores e até casais de namorados, todos falariam sempre a verdade. Jim Carrey encarnou esse papel no filme o Mentiroso, de 1997 e as consequências foram no mínimo inusitadas. Mas se fossemos todos nós dizendo só a verdade acredito mesmo que seriamos mais felizes, as coisas seriam mais simples, do tipo não vou trabalhar hoje porque estou com preguiça ou se você quer uma casa nova levanta-te e trabalha duro, para de buscar culpados pelos seus resultados pessoais e intransferíveis.

A verdade seria uma inspiração a buscar novas formas de relacionamento e soluções mais criativas e concretas para velhos problemas, um facilitador na remoção de obstáculos e também um ordenador social importante. Mas como todo remédio, há muita gente que não está interessada na cura, que lucra com isso a muito tempo e não está disposto a abrir mão do status quo.

Fala a verdade, você viveria só de verdade todo o tempo? Seria esse um doce remédio ou uma solução amarga e intragável?

Crescer no campo é Diferente

Crescer no campo é diferente, longe da cidade num ritmo mais tranquilo, acredito que bastante coisa seria diferente, dos tantos caminhos diferentes e para onde seria o norte nesse destino?

Talvez não perguntasse seu nome, nem estaria aqui, faltaria um pedaço ou o começo não influenciaria no inevitável fim. Quem sabe minha namorada usaria flores no cabelo e nas tardes de sol ficaríamos sob a sombra do telhado tomando um café olhando para o jardim. Nada mal essa perspectiva, me interessa bastante para um futuro cada vez mais próximo e com tantas incertezas.

A chuva cai igual e as nuvens sempre estão se movendo, como num conto de fadas só se pode olhar os dois lados quando se dá e recebe, então, ao imaginar meus novos velhos amigos tudo parece um pouco estranho, mas mesmo assim as coisas de alguma forma acontecem, afinal a vida é mesmo uma doce e breve ilusão.

A cada dia algo se ganha e algo se perde, seja experiencia ou tempo. Sonhos, planos e tudo se transforma a cada segundo, outra vez, fruto das sucessão de acontecimentos e percepções que temos ao longo da vida, uma sucessividade imparável.

Imagine como discutir uma greve geral junto aos animais e convencer a galinha a não por ovos só para transgredir e chamar atenção? Como deve ser estranho escutar sobre fake news e o impacto de uma mentirinha de nada na vida de um montão de gente? Seria equivalente a conversar com uma vaca para aumentar a produção de leite. Tudo é diferente do ponto de vista que se observa, um elefante pode ser descrito de distintas formas e parecer algo sem nenhum sentido se 10 pessoas diferentes o descrevem desde seu ponto de vista, logo tudo pode fazer sentido se juntas cada um dá sua contribuição e juntos concordam que sim, temos um elefante.

Do campo as primeiras coisas que vem à cabeça são coisas muito boas: da calmaria à cachaça, passando por boas comidas e uma certa dose de nostalgia inocente, que acredito existir em quem não conhece muito mais que uns quilômetros donde nasceu, cresceu e vive, feliz e satisfeito junto dos seus.

Podia essa ser a receita da felicidade, costumo dizer que quem não sabe não sobre, no melhor sentido da expressão. Mas de verdade acredito que ao aprender os segredos da terra se aprende muito mais que ao escutar os segredos de outrem. Ou seja, cuidar da própria vida é uma receita que sempre dá certo.

Lembro de alguns poucos passeios ao campo e das incríveis “ideias dos últimos 30 minutos”, como montar um fastfood na pracinha de Teresópolis e depois dos 30 minutos entender que o charme está em justamente não ter. Os costumes são diferentes, a rotina mais intensa e o descanso também merecido. 

Quem fica no campo é porque se identifica, e geralmente feliz com sua escolha, da mesma forma que quem sai do campo o faz motivado por uma determinação em conquistar algo maior ou ainda pela falta de opção, como muitos fizeram para ganhar a vida na cidade grande. O que em definitivo um sonho feliz de cidade, o barulho dos motores enferruja os ouvidos acostumados ao canto dos pássaros e o movimento interminável pode deixar confuso a quem só quer apreciar o pôr do sol.

Em definitivo o tempo passa mais devagar, se aprende a diferença entre os verdes do campo e o azul do céu, há um mundo de experiencias simples que desconhecemos, reflexões que só o silencio da noite sem as luzes da cidade podem alcançar, alguma coisa de pureza natural. Não Evitando comparações aqui, lembro de uma canção incrível de Almir Sater e Renato Teixeira que conta sobre andar devagar, ter a paz necessária para sorrir e tocar a vida com a certeza que somos todo parte da mesma longa estrada.

Então chega o ápice dessa reflexão: o que você realmente precisa para viver? Nesses últimos tempos essa resposta mudou uma séria de vezes, da desimportância de um automóvel quando não se pode circular. Vejo aí uma grande oportunidade de entendimento e escutei casos de gente que se desfez de metade de sua casa depois de entender que não importa o onde, mas o como fazemos as coisas, porque isso é o que determina o quanto realizado estaremos, seja em manter a granja ou em criar um novo protótipo especial.

Certamente as dúvidas e certezas são diferentes, assim mesmo deve ser: “pra rios pequenos canoas, para rios grandes rios navios, mas no rastro da lua cheia se chega em qualquer lugar”.

E para você? O que mais lhe convém: O Campo ou a Cidade, quais as diferenças principais que gostaria de compartilhar conosco? Planos de mudança a vista? Estamos aqui para ouvir.

Seguimos para Bingo

Já vamos para 14 semanas de quarentena aqui no Chile, tirando o número de casos que sobe, continua tudo igual, exceto o frio que chegou para mudar alguns hábitos, mas, seguimos para bingo, como gentilmente diria o locutor.

O texto da semana passada foi marcado pelo Roger do Ultraje a Rigor, o que me deixou particularmente agradecido, um abraço!! Em contrapartida nos aumentou a régua e para manter o ritmo no conteúdo e criação para as próximas semanas.

O tema que indiquei ao Henrique para entregar nesta sexta-feira é: “A rotina da vida moderna” e a contrapartida que me coube foi “E se eu tivesse escolhido crescer no campo”. Há um antagonismo aqui, e por isso, vou ficar mais atento para as próximas semanas.

Reitero o que se você está nos acompanhando e curtiu os textos, indique. Se não gostou, reclame e comente, assim vamos ajustando, e como eu digo: tem que melhorar sempre.

Abraço,

A década de ouro

Por onde começar? O que foram os anos 80, difícil não lembrar dos muitos acontecimentos nessa década de ouro e como isso reflete nas nossas vidas, passados já 40 anos. Difícil também não a comparar com as décadas seguintes.

Como contexto nasci em 1981, a época morador da praia de Botafogo, donde da minha janela se via a queima de fogos no réveillon e o grandes acontecimentos do país ainda estavam ali concentrados. A começar pelo círculo cultural, com seus efervescentes shows e acontecimentos, tudo passava por ali. Dos vizinhos de SP vieram os Titãs nos apresentar shows de umas das melhores bandas de rock daquele tempo, vieram também os vizinhos de Brasília com o Capital Inicial e o Legião Urbana, que dispensam comentários, enquanto isso ícones cariocas como Paralamas do Sucesso e o Barão Vermelho eram os responsáveis por fazer a galera sacudir por aqui. Nesse tema podemos dedicar horas sem fim e não listar os tantos sucessos que surgiram aqui, importante citar Lulu Santos, Djavan, Marina, Celso Blues Boy, Ultraje a Rigor e Blitz.

Já havia passado a década gloriosa, os Novos Baianos, nem tampouco o movimento da Tropicália de Bethânia, Caetano, Gal e Gil. Todos já seguiam as suas carreiras solo, fruto do auge dos anos 70, assim como ao redor do mundo de dissolveram o Led Zeppelin e The Doors por exemplo, fechando com louvor toda a importância e transformação que aconteceu ali.

Me lembro da primeira infância e talvez por isso percepção de que tudo era mais simples, fácil e feliz. Das padarias do meu bairro, das feiras livres, das caminhadas pela enseada de Botafogo, do colégio Imaculada Conceicao, do frenesi da rua Farani a noite a atrapalhar nosso sono dentre várias coisas que ficarão para uma segunda abordagem.

Bem, dito isso, lhes comento que de um ponto de vista político os 80 são chamados de década perdida, vindo pós o “Milagre Econômico” dos anos 70, e em 85 com fim também da ditadura o que sobrou foi o bagaço da laranja. Dívida externa inalcançável, alucinante remarcação de preços no varejo, volatilidade cambial, e os inúmeros planos monetários Cruz(credos).

A atmosfera era revolucionária e transgressiva, cabelos volumosos para chamar a atenção, assim como as roupas coloridas e toda a influência americana que víamos pela televisão: do All Star ao Michael Jackson, Madonna, Prince e Guns´n´Roses e tudo o que isso significa. Ainda faltaria uma década para nascer a MTV, então os nossos artistas se encarregavam também desse papel de difundir as tendências em terra brazilis.

Na televisão além do programa do Chacrinha, Trapalhões e do Clube do Bolinha que merecem um post a parte só para contar das chacretes, das mais divertidas trapalhadas e dos calouros mais inacreditáveis que se tem notícia também havia uma grande demanda de conteúdo, uma vez que todos nós juntávamos nos sofá para passar um tempo juntos vendo a visceral TV. Eram efeitos especiais sombrios e primitivos, o suspense das novelas, de quem matou a Odete Roitman a Top Model, onde a gatíssima Malu Mader no auge dos seus 23 aninhos nos faziam demorar mais no chuveiro.

Nesse sentido os anos 80 deixou um legado de filmes incríveis, alguns que seguem em cartaz até hoje: Scarface, Indiana Jones, Gremilins, ET, Batman, Footlose, Caca Fantasmas, Blade Runner, Duro de Matar, De Volta para o Futuro.

O que falar do futebol? O Flamengo estava na sua melhor forma. Zico nos conduziu por uma série de títulos e foi disparado o melhor momento da nossa história: Brasileiro em 80, 82 e 83. Carioca, Libertadores e Mundial. Que time foi esse meus amigos!! Mozer, Junior, Andrade, Nunes, Leandro e Adílio, esses eram um dos heróis nacionais, que embalados aos belos sambas de Beth Carvalho levavam o povo ao delírio. Somente em 1983 seria inaugurado o sambódromo por isso tenho plena certeza que se fora 2 anos antes, quando o Flamengo voltasse de Tóquio o desfile seria ali.

Mas o carnaval não nasceu com o Sambódromo e tampouco as musas da época, como usas Luiza Brunet, Bruna Lombardi, Luma de Oliveira e Claudia Raia já alegravam muitos bailes de carnaval e os desfiles que aconteciam na Presidente Vargas e avenida Rio Branco.

Em 1984 já assistíamos as corridas de fórmula 1 na televisão, e em 1988 ao trocar a Lotus pela McLaren Ayrton Senna conquistava seu primeiro título e quebrando dois recordes, um verdadeiro orgulho nacional. Nas ruas, os recém lançados Escort, GOL e Monza se encarregavam de arrancar olhares por onde passavam, com suas linhas retas e motores de 80 cavalos se consolidavam sobre os já rodados Fusca, Chevette e Corcel.

Não por acaso, e voltando a falar de música, em 1985 o Rio de Janeiro volta a ser o centro das atenções mundial com um festival que promete, e depois cumpre, ser o maior festival do rock mundial. O Rock in Rio trouxe para a américa Latina o que havia de melhor no line up mundial, artistas que pela primeira vez vieram por esses lados, o line up era incrível, e, também por isso mais de um 1.600.000 de pessoas estiveram por lá durante os inacreditáveis 10 dias de festival. Tenho um casal de amigos que guarda até hoje os ingressos do festival que reuniu desde AC/DC, Queen, Iron Maiden até Ney Matogrosso e Elba Ramalho.

Na arquitetura da cidade tanta coisa mudou desde 1980… me lembro do Tivoli Park, para citar como referência da diversão fora de casa. Não havia grandes shopping centers, não haviam chegado massivamente os vídeo cassetes e a diversão do carioca era Praia, Cinema ou Circo, Futebol e parques.

Passávamos muito tempo na rua, e isso era incrível. Aos mais novos lembro que não havia celular, os telefones fixos eram vinham com ações da Telerj e os orelhões colecionavam moedas metálicas especiais, chamadas fichas, que usávamos para ligar para casa em alguma emergência. Nossos pais tinham um código especial, sejam um assovio, um sinal, de luz, fumaça ou outro que o valha que nos podia localizar e avisar que era hora de voltar para casa. Claro que as vezes não funcionava e éramos responsáveis por isso, mas posso garantir que éramos livres e felizes.

Jamais esquecerei da minha Caloi Cross, melhor companheira de aventuras, também dos tombos mais espetaculares que um moleque pode colecionar. Dos longos passeios, mais à frente das corridas na ladeira do Parque Guinle, dos reparos feitos no meio da rua, das fugas de inúmeras situações e das caronas para as vindouras namoradas…

Quando digo que nos divertíamos nas ruas o falo com razão, nos fins de semana saia para brincar na rua pela manha e as vezes só voltava no fim as tarde para tomar banho e dormir. Conhecíamos todos nossos colegas da rua, do quarteirão e as vezes até do bairro pelo nome, nossos pais sabiam dos nossos amigos que as vezes iam em casa para tomar um copo d´água entre uma partida e outra por exemplo e assim uma rede super efetiva de conhecimento e cuidado era criada. Todo mundo se falava, o tempo era efetivo para estarmos juntos e aproveitar, acredito que havia menos maldade e mais verdade nas pessoas.

Havia conta na venda, no bar, no açougue, na farmácia, as pessoas confiavam umas nas outras e um compromisso era algo sério, que não necessitava nenhuma formalidade ou rito adicional, o famoso fio do bigode.

Hoje vejo alguns filmes que já citei e lembro de festinhas de criança onde dançávamos sem saber e sem julgar a ninguém, só reclamávamos quando alguém pedia pra juntar e tirar foto, o que era todo um ritual, foto era algo importante e máximo que cabia num filme eram 36 “poses”, talvez por isso os momentos eram mais valorizados e realmente vivíamos cada um deles.  

Um Olhar para o Paraíso

O tema que me foi escolhido essa semana é bem largo: A importância dos ídolos na formação do caráter, e poderíamos conversar durante horas sobre isso, afinal desde a primeira infância somos rodeados de ídolos, a começar pela mãe enquanto lactantes, onde tudo o que se necessita e deseja é estar junto ao calor e alimento.

Mas o que são os ídolos? De forma a separar a figura sobrenatural que é objeto de culto e adoração vou enquadrar nossa discussão em: pessoa ou coisa pela qual temos muito amor e admiração. E nesse contexto ainda há diversas definições que possamos encontrar e aplicar, então vamos manter o foco em como impactam nossa percepção, comportamento e pensamentos.

 Muitos ídolos:

Desde criança pude contemplar a forca e determinação da minha mãe no manejo de duas crianças, toda a rotina da casa, do trabalho sério e todos os desafios para uma mulher divorciada na década de 80. Aqui aprendi valores que balizariam minha vida para sempre, como respeito ao próximo, honestidade a toda prova, além de um senso de crítico ímpar.

Já no período escolar acredito que com o refinamento dos sentidos há uma explosão de percepções e experiencias, até então desconhecidas. Me lembro claramente de uma professora da escola, do disco Brother in Arms, do Dire Straits, e dos passeios no Corcel azul com meu pai, com quem aprendi também uma série de outras coisas, em especial o afinamento musical.

Na adolescência, dando continuidade as muitas mudanças podemos colecionar uma série de livros, com a intensidade própria da idade e então fazer coleções dos livros prediletos, K7/CDs e uma pilha de coisas variadas para afirmar que somos o melhor conhecedor daquele ídolo X, lembro de um amigo que tinha todas as gravações gringas do Iron Maiden e não havia um dia sequer que não contasse alguma coisa que só ele sabia, ao menos naquele tempo não tínhamos acesso a internet ou outra informação para poder confronta-lo e então acreditávamos como verdade.

Aqui vale lembrar que o ídolo é algo ou alguém pelo qual temos amor e admiração, e isso não impede que a admiração seja necessariamente por algo bom. Por exemplo na escola os mais admirados eram os que brigavam melhor, faziam mais bagunça e quebravam as regras, um típico anti-herói. Essa dualidade entre o certo e errado, bom e ruim, permitido e proibido pode se aplicar a quase tudo. Sempre preferi ao Rolling Stones que aos Beatles, mas não só pela música, continuo achando McCartney muito almofadinha. Rock´n´Roll é um estado de humor muito mais compreensível e divertido.

Espelho

Quanto nos tornamos pais a história recomeça, só que dessa vez ao contrário, do fim para o começo. Onde nossos filhos vão buscar em nós os exemplos e assim podemos ser sus ídolos.

Aqui temos um link com o outro texto dessa semana, que aborda a reputação e imagem na sociedade, e cito que também há filhos que não enxergam nenhuma referência de ídolo em seus pais, mas, como já disse um ídolo não precisa ser necessariamente certo e bom.

E assim, da mesma forma que tínhamos nossos ídolos, desde a primeira infância, quando nos tornamos pais vemos esse fenômeno se repetir com nossos filhos. Há de estar atento com os exemplos que lhes damos, também ao que lhes chama atenção. Rambo ou Chacrinha? Qual inspiração evocar para determinada situação.

Acredito que podemos ser mais que ídolos, servindo de exemplo prático de inspiração, para que em situações difíceis ou inusitadas nossos filhos possam se perguntar: o que meu pai faria nessa situação? E que isso sirva de alguma ajuda.

Da mesma forma em que ao ensinar alguma coisa também se aprende, as vezes me surpreendo com determinadas atitudes dos meus filhos, que são diferentes e melhores das que eu teria. Ou seja nossos ensinamentos vão melhorando com o tempo e a soma das outras experiencias de quem os escutou, dessa forma tudo se renova e o ciclo continua.

Posts da Semana

Vamos para nossa segunda semana, com muitas boas energias e notícias para dar uma trégua nessa quarentena que parece estar chegando ao fim. Essa semana teremos dois temas intrigantes que espero sejam ainda mais envolventes que os da semana passada.

Para o Henrique o tema é Imagem e reputação na sociedade, enquanto eu escreverei sobre a importância dos Ídolos na formação da personalidade.

Então sexta feira teremos os posts como de costume. Não se esqueçam de se registrar no blog para receber as novidades.

Abraço,

Kozmic Blues

O que é a Felicidade para você? Para alguns pode ser um objetivo, seja a curto, médio ou longo prazo, enquanto para outros: simplesmente disfrutar de consecutivos momentos felizes.

A felicidade é um tema discutido desde muito tempo, e objeto de muitas discussões ao longo de séculos. Desde os maiores filósofos a que se tem conhecimento, até nós, pessoas comuns em qualquer lugar, como por exemplo em mesas de bar.

Eudaimonia, como é chamada analiticamente, vem da junção de duas palavras gregas: (o bom) Eu + Daimon (nobre espírito) e foi tema de Socrates, Platão, Aristóteles e Epicuro para citar os mais significativos. Está estreitamente ligada a ética, virtudes e outros temas onde se pode encontrar a felicidade.

Na moderna filosofia se encontram alguns artigos sobre moral que ditam sobre utilitarismo, certo e errado, dever e obrigação, e há também temas relacionados com bem-estar, positivismo, satisfação, qualidade de vida, Ikigai, para quem quiser se aprofundar na discussão.

Aterrizando esse tema acadêmico aqui para a nossa realidade, entendo que a felicidade é tão pessoal e instranferível que proponho uma reflexão:

As vezes temos uma lembrança de infância, onde não nos preocupavamos com roupas, bens e muito menos no amanhã, enquanto nos percebíamos as pessoas mais felizes do mundo por coisas tão simples quanto: andar de bicicleta e brincar com os amigos na rua, a comida preferida num almoço de domingo, o primeiro beijo…

Estaría a felicidade permeada nesses simples momentos felizes? Estamos nos permitindo sentir e viver felizes nesses momentos?

Eu não consigo passar um dia sem escutar música, dos mais diversos tipos. Na maioria das vezes, músicas que conheço de muito tempo, e se não as posso escutar num player enquanto trabalho, no celular, ou outras formas que me agradam mais como os LPs, simplesmente as escuto em minha memória. Com uma riqueza de detalhes espantosa, que por vezes me trazem inusitados momentos, em geral boas lembranças, aventuras ou situações que marcaram o momento onde tinha-se essa música como pano de fundo. Eu me sinto feliz com essas lembrancas, como quase que revivendo esses bons momentos.

Às vezes, num sinal de trânsito quando se olha ao carro ao lado e uma criança nos sorri, ou vemos alguma coisa que nos chama a atenção igual podemos sentirnos assim, como que agradecidos pela ocasião que acabamos de vivenciar.

Não obstante a esses momentos digamos frugais, há a felicidade subjetiva que talvez assimilamos desde muito cedo, que vem junto com as perguntas do tipo: o que você vai fazer quando crescer?

Claro que um pai não quer obrigar a um filho de 6 anos a que decida qual será sua carreira profissional à essa idade, mas como exemplo, pode marcar nosso proximo ponto e o a deixa para um convite a uma nova reflexao: O que você quer para sua vida ao final de 2020 (quando esperamos estar controlada a pandemia), e o que você espera para daqui a 20 anos que te faça feliz?

Aqui temos um mar de ideias sobre o que há por vir e incontáveis planos que podem acontecer, ou não. E que esse não pode nos revelar coisas que nem imaginávamos e nos surpreender positivamente. Porque aqui não vamos antagonizar a felicidade.

A começar pelos sonhos que tinha de felicidade aos 20 anos, onde já colecionava alguns deles realizados (ser pai, ter uma empresa etc.), digo, que todos os planos mudaram, e sim, para melhor. Aos 40 descobri que prefiro trabalhar como parte de algo grande que ser o todo em um pequeno negócio, descobri que nem tudo que brilha é ouro e já não me deixo seduzir por todos os prazeres que a vida oferece.   

E aos 60, lembro agora da canção de Lennon–McCartney: When I’m Sixty-Four:

Será que ainda me preocuparei com as coisas que hoje me preocupam?

Será que ainda vao precisar de mim ou serei util?

Realmente acredito que se eu tiver um tempo para caminhar pela orla e depois parar no quebra mar e para contemplar cada pedaço da caminhada; Se puder fazer um almoco para meus filhos (talvez netos), contar e escutar histórias. Se eu puder ter minha boa companhia, escutar boas músicas e ainda puder dar umas boas risadas. Sim, eu acredito que estarei bem feliz.

Por fim, contrapondo ao cliche que a felicidade é o caminho eu digo que a felicidade é o que você quiser para você. Pode ser também fazer a alguém feliz, pode ser dedicarse a um propósito que vai mudar o mundo. Pode, e deve, ser o que te move, o que te faz levantar da cama todos os dias e sentirse vivo. Feliz.